Quando as coisas dão errado…

Quando as coisas dão errado

Era 10 de maio de 2016, o dia que estava indo para Águas Calientes (também conhecida como Machu Picchu Pueblo) para finalmente no dia seguinte ir à Machu Picchu depois de cinco anos de espera.

Acordei às 06h45min, porque tinha que deixar o albergue às 7h30min. Eu escolhi a forma mais barata de ir à Machu Picchu: 7 horas van de Cusco à Hidroélectrica, e depois 2h de caminhada nos trilhos do trem até Águas Calientes.

Estava super animado e muito feliz !!

O motorista me pegou em torno das 8h a pé, e nós caminhamos até a van.

Eu estava com meu celular no bolso, a minha mala em uma mão e minha carteira e uma garrafa de água na outra mão.

Quando cheguei lá a van tinha apenas algumas pessoas e sentei no fundo, mas terminei decidindo ir para a frente para fazer alguns vídeos da viagem.

Tive a impressão que tinha deixado minha carteira e a garrafa de água no banco e saí para pedir ao motorista para colocar minha mala no porta-malas.

Acabei passando muito tempo do lado de fora fazendo uns vídeos, e quando voltei a van já estava cheia.

Coloquei meu telefone no bolso e sentei na frente. Como tinha um protetor labial no bolso dianteiro direito, onde eu costumo levar minha carteira, nem dei falta dela.

Quando a van parou no posto de gasolina percebi que não tinha nem a garrafa de água nem a carteira.

No começo eu fiquei desesperado procurando nos meus bolsos e no chão, mas nada … Eu perguntei em voz alta e ninguém disse nada. Um cara da agência pediu novamente e a garrafa de água apareceu, mas minha carteira…

Eu verifiquei na mala, porém tinha certeza que ela não estava lá. Perguntei novamente e nada.

O proprietário da agência estava lá e me levou para o lugar onde a van estava estacionada para ver se minha carteira estava lá. De lá fomos para o albergue e a recepcionista disse que saí com a minha carteira na mão. Eu tinha certeza disso. Sendo assim, minha carteira tinha desaparecido…

Graças a Deus, o proprietário da agência me disse que me daria hospedagem, almoço e janta.

Voltei para a van, sem dinheiro, sem cartões de crédito e sem esperança de achar minha carteira!

Foi a primeira vez que isso aconteceu comigo e eu estava completamente perdido. Não tinha a menor idéia do que fazer…

A única coisa que eu queria fazer era chorar, mas isso não traria minha carteira de volta e não iria resolver nada.

Tinha que controlar minhas emoções e começar a planejar o que fazer. Eu estava em outro país, sozinho, sem dinheiro, e ainda por cima ficaria mais três noites.

Na nossa primeira parada, o motorista e eu procuramos em todos os lugares da van, mas não encontramos nada.

A única coisa que pensava era pedir dinheiro.

Em nossa segunda parada para almoço, pensei em outra opção: encontrar alguém do Brasil ou dos EUA, onde tenho contas, e tentar fazer algumas transações bancárias usando a Internet.

Procurei por moedas na minha mala e achei £ 0,10. Agora só precisava encontrar alguém da Inglaterra para trocar pra mim. Até encontrei algumas pessoas no restaurante, mas acreditem ou não, entre cerca de 7 pessoas, todos eles disseram que eles não tinham uma moeda de 0,50 soles pra trocar pra mim.

Falei com algumas pessoas que estavam na van e uma coreana me aconselhou a verificar se havia um consulado brasileiro em Cusco e falar com eles.

Uma moça com um forte sotaque americano me disse que era da Croácia e aconselhou-me a conversar com alguns amigos e pedir-lhes para me enviar dinheiro usando Western Union ou Money Gram. E foi nesse momento que a lâmpada ascendeu e encontrei uma solução.

Depois de 7h chegamos a Hidroeléctrica onde o motorista e eu demos uma geral na van pela última vez.

Andei as duas horas até Machu Picchu Pueblo e já estava me sentindo melhor, uma vez que tinha acomodação, comida, uma solução e até encontrado 15,90 soles (R$ 17) no bolso pra moedas da calça.

Fui pro albergue que tinha feito a reserva e eles me disseram que precisavam de meu cartão para completar o pagamento. Terminei indo pro albergue que o proprietário me ofereceu e fiz alguns telefonemas para cancelar meus três cartões, e mandei uma mensagem para um amigo de Nova York pedindo que me enviasse US$ 50 (que seria o suficiente para os meus últimos três dias no Peru).

As pessoas dizem que as coisas sempre acontecem por uma razão, mas a verdade é que quando algo ruim acontece é muito difícil de aceitar.

No entanto, o que eu aprendi com essa experiência foi:

-Nunca deixe todo o seu dinheiro e cartões em sua carteira. Ponha um pouco em algum outro lugar caso isso aconteça.

-Fique de olho nos seus pertences em todos os momentos.

-Não confie nas pessoas, especialmente nas que você nunca viu antes.

-Procure ajuda com as pessoas certas. O proprietário da agência era o único capaz de me ajudar.

-Tudo bem se você compartilhar seus problemas com outras pessoas, porque eles podem te sugerir algo que você não está pensando.

-Não espere que as pessoas vão te ajudar, e muito menos te dar dinheiro e acreditar que você foi roubado e está passando por uma situação difícil.

-Com Western Union e Money Gram você pode receber dinheiro, basicamente, em todo o mundo. Tudo o que você vai precisar é de um documento para receber o dinheiro na boca do caixa.

Coisas que devemos lembrar sempre:

-Nunca carregue muita coisa com você em diferentes mochilas e/ou mãos, juntamente com a sua bagagem. Se eu não tivesse com a garrafa de água, minha carteira certamente estaria na minha mão como carrego sempre.

-Nunca leve seu passaporte com você quando você for passear. Se você perdê-lo você estará em apuros.

-Quando coisas ruins acontecerem entre em contato com um membro da família ou um amigo que você pode contar e peça-lhes ajuda. Tenho certeza de que há pessoas que se preocupam com você e estão dispostos a ajudá-lo.

-Há solução para tudo.

 

Machu Picchu foi incrível eu estava super feliz que finalmente vi essa maravilha do mundo moderno!

Vamos seguir em frente e viajar com segurança pessoal.

4 comentários em “Quando as coisas dão errado…”

  1. Situação bem difícil a que passou meu amigo Pericles. Creio que apesar de indesejada, é uma situação possível, por isso, bom você ter compartilhado, que reforça para o leitor os cuidados que temos que tomar por ai em viagens, como também orienta possíveis soluções. Obrigado

  2. Acho que você esqueceu da principal dica..

    – Sempre leve em consideração ajudar o próximo, quando ver uma cena assim, no seu dia a dia.

    Digo isso pq aconteceu algo bem parecido cmigo, no Rio de Janeiro, mesmo.
    Estava viajando há semanas pela costa do estado, até que em um belo dia, na cidade do Rio, mesmo, descobri q meu único cartão ativo de débito, havia sido clonado. Era um sábado, de feriado. Ou seja, pior dia, impossível.
    Banco fechado, central do cartão um caos, etc..

    Na hora foi desesperador!! Você está longe da sua família, dos seus amigos, está com o futuro incerto, etc..

    Acho q o melhor é manter a calma, explicar pras pessoas locais a sua situação, pedir ajuda, e avisar aos familiares, mesmo.

    Porém, percebi q em muitos lugares do Rio, o sentimento de empatia e a solidariedade, não rola muito.
    Os cariocas são mais frios, q os paulistas, nesse sentido. Pra minha surpresa!!
    Os q eu posso agradecer é o recepcionista do hostel El Misti, de Copacabana; o motorista do ônibus que me deixou na Rodoviária Novo Rio, e um senhor que me deu dicas, perto da Rodoviária.
    De resto, a frieza e a falta de humanidade – se pode dizer assim – foi generalizada!!

    Hoje, aprendi que devo SEMPRE – independentemente de tudo – ouvir a história do próximo, e ajudar, caso realmente necessite.
    O q aconteceu comigo há 1 mês atrás, acontece com milhares de pessoas, todo dia.

    • Obrigado pelo relato Victor!!
      Sim, devia ter crescendo isso…
      Acho que o que acontece é que as pessoas estão fartas de tanta mentirada e de gente querendo tirar proveito delas que terminam se “desumanizando”…
      Quando passei por isso no Peru percebi que quando começava a contar o que tinha acontecido comigo a cara das pessoas era: “sei”… “lá vem mais um caso”…
      A verdade é que graças a Deus sempre encontraremos pessoas dispostas a ajudar. Assim como me ajudaram e te ajudaram também… Terá sempre alguém disposto a ouvir e ter compaixão (solidariedade) com o próximo.
      Fico feliz que tudo tenha acabado bem contigo, apesar dos contratempos que teve.
      E é a pura verdade, isso acontece todos os dias, o tempo inteiro. E, por isso, devemos agradecer a Deus sempre quando tudo ocorrer bem. E quando não, devemos agradecer também (embora seja difícil), porque por pior que seja a situação sempre aprenderemos algo.
      Abraço e obrigado por te lido a matéria 🙂

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